Expedições Acauã 2012 – Norte Extremo

O Shopping Santa Úrsula traz uma exposição que retrata uma viagem incomum repleta de cultura e paisagens. O registro fotográfico da sétima viagem da Expedições Acauã, que percorreu os estados do Amapá, Roraima, Amazonas e Pará, além de países como Guiana Francesa, Suriname e Guiana, pode ser apreciado no centro de compras.

Sempre viajando  por roteiros não convencionais, a Expedições Acauã, grupo de profissionais da comunicação de Ribeirão Preto, decidiu fazer sua viagem mais ao norte de suas sete edições.

Como o tempo é contado foi necessário enviar as viaturas de cegonha para conseguir cumprir o roteiro, elas foram despachadas de Ribeirão para Macapá, e já nesse percurso os carros pegaram a primeira balsa, entre Belém e Macapá. O grupo iniciou a viagem pegando um avião para a capital do Amapá.

Macapá, uma capital com 400.000 habitantes, é bem pacata, os dois pontos turísticos são o marco zero, já que é a única capital do país cortada pela linha do equador, que separa o hemisfério sul do norte. O outro é a Fortaleza de São José do Macapá, inaugurada em 1782 e que está em excelente estado de conservação.

Seguimos para Oiapoque, pela BR-156, estrada que está em construção há 80 anos e ainda conta com 200 de seus 600 km de terra. Essa é a região das águas, além de muitos rios caudalosos, nessa época do ano chove diariamente, tornando estradas escorregadias.

Oiapoque é uma típica cidade de fronteira, mas o que chama a atenção é a ponte pênsil que já está pronta transpondo o Rio Oiapoque. Totalmente terminada ela não está em operação devido ao Brasil não ter terminado ainda o acesso à ponte, a parte da Guyana Francesa está completa.

Entrar na Guyana Francesa é como estar na Europa, esse trecho da viagem, desconhecido para a grande maioria dos brasileiros, entrando pela Guyana Francesa e retornando para o Brasil pela Guyana, é como sair da América Latina, nada lembra a cultura do nosso continente.

Para entrar na Guyana Francesa é necessário visto. Encontramos um país sem muitos atrativos naturais, mas bem limpo e organizado. Com grande número de brasileiros que foram buscar uma vida melhor nos Euros de lá.

A capital, Cayenne, é uma cidade pequena, sem prédios altos, sem grande movimento e sem atrativos turísticos. O passeio no país foi feito em Kourou, ao norte, onde visitamos a Ilha do Diabo, presídio desativado de onde fugiu Papillon.

É um conjunto de três ilhas, na principal é possível visitar as ruínas do presídio e as bonitas trilhas na mata. Como em toda viagem, nada de praia, para cima do Amazonas, até a Venezuela, onde começa o Caribe, as praias são feias e barrentas. Também em Kourou fica a base de lançamentos da Agência Espacial Europeia, de onde saem praticamente todos os foguetes enviados pelos países europeus.

Da Guyana Francesa entramos no Suriname, antiga Guyana Holandesa. O cenário muda drasticamente. Para chegar ao Suriname é necessário pegar uma balsa entre Saint Laurent du Maroni e chegar a Albina.

A sensação que todos do grupo Acauã tiveram é que Suriname é um país na beira da estrada, espremido entre a floresta amazônica, o mar barrento e a sua pobreza. Com o povo  falando em neerlandez, que não se entende absolutamente nada, foi a comunicação mais complicada da viagem, encontrar pessoas que falavam inglês e entender o inglês deles.

Sua capital, Paramaribo, é também modesta e sem belezas naturais ou construções que se destaquem. Aqui até sentiríamos estar em um país pobre da América Latina, não fosse a estranha sensação de dirigir na mão inglesa, não entender nada que as pessoas falam nem as placas, e uma diferente mistura de raças que até então não vimos em nossas viagens pelo continente.

A bordo de outra balsa passamos para a Guyana, antiga colônia Inglesa. Aqui sim verificamos uma maior mistura de raças e religiões. Também é um país a beira da estrada, mas ainda mais reforçado, graças aos cemitérios improvisados em poucos túmulos nos espaços onde seriam os acostamentos da rodovia.

A diversidade cultural (o país tem uma fortíssima presença de indianos) não se traduz em belezas naturais  no país. Em Georgetown, capital, a praia sem ondas e barrenta é cercada por um muro. Sem prédios e sem belezas, o único ponto a ser visitado é a catedral toda em madeira, e só.

De Georgetown retornamos ao Brasil. A estrada que leva ao até Roraima é toda de terra, com alguns trechos de atoleiro. São 500 km no meio da floresta amazônica, com uma grande curiosidade, no meio do trajeto existe uma travessia de balsa, porém o bilhete para embarcar é vendido em Georgetown, ou seja, se você chegar lá sem o bilhete tem que retornar os 300km – em estrada de terra – para comprar seu ticket. Devidamente avisados da armadilha nós compramos na capital o bilhete.

Esse foi o trecho mais empoeirado da viagem, a ponto de um integrante da equipe chegar em Boa Vista com os cabelos tingidos pelo pó, e as viaturas tiveram que ser limpadas pois não tinham condições de prosseguir naquela situação.

Nas passagens pela Guyana Francesa, Suriname e Guyana, desvendamos lugares totalmente desconhecidos da maioria dos brasileiros, e principalmente por ir de carro, em todas as aduanas vivemos situações de total surpresa por estarmos viajando com nossos carros, mas, em nenhuma abordagem tivemos pedido de propina, que sempre foram muito comuns em nossas viagens pela Bolívia, Paraguai e Argentina.

De volta ao Brasil, seguimos de Bonfim até Roraima. Atenção, fala-se Ror(á)ima e não Ror(â)ima, e quem mora lá fica bravo se erramos na pronúncia do nome do estado. Boa Vista é uma cidade simpática e planejada, pronta para o crescimento, que chegará cada vez mais rápido.

De Boa Vista a Manaus, atravessando a floresta amazônica, a viagem é tranquila, estrada em boas condições, e atravessando a reserva indígena dos Waimiri-Atroari.

Manaus é gigante, uma imensa cidade no meio da floresta e na beira do maior rio do mundo. Aqui vale a pena visitar os pontos básicos: Teatro Amazonas e o Mercado Municipal.

Aqui uma grande aventura da Expedições Acauã. Começa com o embarque das viaturas no barco, que contou com um contratempo de uma tábua que escorregou e o jipe ficou pendurando entre o navio e cais. Problema resolvido, as duas viaturas embarcadas, mas o melhor seria dizer, encaixadas, passamos a viagem entre Manaus e Santarém, 36 horas navegando nas águas do Rio Amazonas, em que na maioria dos trechos não se enxerga a outra margem.

Foi uma experiência fascinante, barcos são os ônibus na Amazônia, todos viajam em redes, nosso grupo ocupou os poucos camarotes do barco, embora esse nome seja exagerado, na verdade é um lugar fechado, com um beliche e mais nada, e repleto de baratinhas e alguns outros insetos. O único conforto foi um ar condicionado.

Chegando em Santarém visitamos a praia paradisíaca de Alter do Chão, às margens do transparente Rio Tapajós. Na época do carnaval a praia está parcialmente coberta, mas dá para se ter uma visão da beleza do local.

De Santarém seguimos até Rurópolis, marco do início da Transamazônica. Antes, no caminho, passamos por Belterra, cidade idealizada por Henry Ford para abastecer de borracha as suas fábricas de automóveis, onde ainda restam diversas máquinas da época em operação nas oficinas da prefeitura.

Em Rurópolis nos hospedamos no hotel construído para recepcionar o Presidente Médice para o lançamento da pedra fundamental para a construção da Transamazônica (ou o que restou dele). De arquitetura ousada para a época, e uma piscina gigante, totalmente esvaziada, o hotel chama a atenção. Ao redor dele surgiu Rurópolis.

Aí começa o início da aventura pela Transamazônica, a mais polêmica estrada do Brasil está abandonada. Embora não estivéssemos na época de maior chuva (que acontece entre abril e maio), todo dia cai uma chuva e até alguns temporais, transformando diversos trechos em atoleiros onde só era possível passar num 4×4.   Em Altamira, próxima a uma balsa, os caminhões tinham que ser puxados por um trator para vencer a escorregadia subida.

Por diversos trechos encontramos alguns quilômetros asfaltados, como um oásis, mas com curta duração, e em estado lamentável de conservação. As centenas de pontes eram verdadeiras aventuras, de madeira já desgastada pelo tempo e sempre em mão única. A melhor definição foi dada por um caminhoneiro com seu veículo atolado ao ver o carro Acauã adesivado como reportagem: “- Digam que a Transamazônica pede socorro”.

Em Marabá encontramos uma cidade que respira progresso, graças as obras da Usina de Belo Monte. O norte sofre com a precária infra-estrutura, mas a sensação é que a região está começado a receber a atenção sempre prometida mas nunca cumprida, a esperança é que isso seja feito de maneira sustentável, respeitando as maravilhas naturais.

O Pará respira progresso. Todas as cidades estão vivendo momento de grande crescimento, embora sem estrutura, mas certamente, quem for ao estado com alguma ideia e vontade de vencer, está no momento certo. De Marabá cruzamos o Rio Xingu, entramos em Tocantins. Depois, Goiás e Minas e, claro, de volta para Ribeirão Preto…

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